terça-feira, 6 de maio de 2008




MARCIAL SALAVERRY
POETA ECLÉTICO


"Sempre receberemos críticas desfavoráveis, pois é impossivel agradar a todos. Quem gosta de forró, pode não apreciar Beethoven, embora tudo seja arte. A reação que tenho, depende da maneira como a crítica é feita. Se é uma crítica consciente, feita por quem tem condições de faze-la, posso analisar o que escrevi para ver se ela tem fundamento. Mas se é feita gratuitamente, por quem apenas quer criticar, simplesmente deleto. E aconselho a quem lê algo que não goste, que apenas delete aquilo que leu. Aliás, escrevi um poema dando esse enfoque. É o "Use a Tecla Del, PÔ". Sempre haverá quem goste ou quem não goste daquilo que alguém faz. Eu gosto de Olavo Bilac, de Neruda, e tem quem os ache 'um porre".... Já disse Nelson Rodrigues: A UNANIMIDADE É BURRA. Sempre haverá quem goste ou quem não goste."



ELOS = Diga-nos sua nacionalidade e fale um pouquinho da cidade onde você mora.


R= Sou brasileiro já há 69 anos... E moro em Santos. embora seja natural de Sampa, considero-me santista por adoção, pois esta cidade me acolheu muito bem, além do que, é a "cidade com maior e mais belo jardim de praia do mundo...". é conhecer pra se apaixonar.


ELOS = Qual a sua formação escolar?


R= Secundária. cheguei até o que, na época, era o Curso Científico. Tive que abandonar os estudos para entrar fundo na luta pela vida, principalmente após a morte de meu pai.


ELOS= Qual o seu poeta ou poetisa preferido?


R= Para dizer a verdade, não tenho preferencia por nenhum. Gosto muito de arte. Posso dar um ligeiro destaque para Vinicius de Morais, Neruda, Florbela Espanca...


ELOS= Você se inspira em algum poeta, para escrever?


R= Geralmente me inspiro em um poema, em uma música, em uma imagem, em uma lembrança, em um por do sol, numa noite de luar. A inspiração apenas surge...e eu escrevo.


ELOS= O que é preciso para escrever bem?


R= Um teclado de computador. Não gosto muito de escrever, por ter uma letra muito feia. Sim, e claro, a chegada da inspiração, que não escolhe momento nem ocasião, depende do que vejo.


ELOS= Quais qualidades pessoais isso exige?


R= Uma alma romantica, e sempre aberta para a inspiração. E não ter vergonha de deixar a alma fluir e dizer o que sai da alma, passa pela cabeça, e sai através dos dedos...


ELOS= Antes de saber escrever bem, é preciso saber por que se escreve?


R= O principal, é ter um bom vocabulário, e conhecer as regras gramaticais, para não sair besteira.


ELOS= Enquanto escreve, sua vontade maior é agradar ou se satisfazer?


R= É apenas deixar fluir o que a alma está sentindo no momento. E isso me satisfaz, claro.


ELOS = Colocando-se apenas no papel de leitor de sua obra, existe a possibilidade de considerar qualquer trabalho seu um fracasso?


R= Coloco-me como leitor, e geralmente gosto do que escrevo. Quando não gosto de algo, primeiro pergunto a alguém pedindo opinião. O que é raro, aliás.


ELOS = Ao terminar de escrever um texto, você aceita e gosta do resultado unicamente porque é responsável por ele?


R= Quando me leio, separo o leitor do escritor. E se não gosto, deleto.


ELOS= Uma escritora inglesa expôs a seguinte opinião: "poesia não é uma expressão da personalidade, mas uma fuga dela". E ela explica: "personalidade é muito mais do que detalhes autobiográficos, é o nosso próprio modo de processar o mundo, nossa maneira de ser, e não pode ser artificialmente retirado de nossas atividades: é nosso jeito de ser ativos". Você acha que é preciso ter conhecimento e aproveitar um pouco dos dois lados na criação, ou apenas trabalhar com um deles é suficiente?


R= Tudo depende do enfoque que se dá à poesia. Ela pode ser algo natural, que sai da alma, e sem rebusques, ou presa às regras poéticas, que podem tirar a naturalidade da alma do poeta, que vai precisar por vezes procurar em dicionários palavras que se encaixem à métrica, ou à rima. Essa a diferença entre a poesia convencional, e a poesia livre.


ELOS= Já teve alguma poesia sua que sofreu uma critica desfavorável? Se teve, qual foi sua reação?


R= Sempre receberemos críticas desfavoráveis, pois é impossivel agradar a todos. Quem gosta de forró, pode não apreciar Beethoven, embora tudo seja arte. A reação que tenho, depende da maneira como a crítica é feita. Se é uma crítica consciente, feita por quem tem condições de faze-la, posso analisar o que escrevi para ver se ela tem fundamento. Mas se é feita gratuitamente, por quem apenas quer criticar, simplesmente deleto. E aconselho a quem lê algo que não goste, que apenas delete aquilo que leu. Aliás, escrevi um poema dando esse enfoque. É o "Use a Tecla Del, PÔ". Sempre haverá quem goste ou quem não goste daquilo que alguém faz. Eu gosto de Olavo Bilac, de Neruda, e tem quem os ache 'um porre".... Já disse Nelson Rodrigues: A UNANIMIDADE É BURRA. Sempre haverá quem goste ou quem não goste.


ELOS= Você acha que a crítica pode fazer o poeta aperfeiçoar-se, ou desistir da poesia?


R= Geralmente a crítica bem direcionada, pode ajudar a corrigir eventuais defeitos, de quem os queira corrigir. O aperfeiçoamente poetal, o poeta vai obtendo com a auto crítica. E desistir de poetar porque algum "iluminado" fez críticas azedas, é falta de personalidade, e de alma poetal. Então, é melhor parar...


ELOS= Como você definiria o seu estilo?


R - Eclético. Escrevo sobre todos os assuntos. Contos, crônicas, poesias de todos os estilos, sonetos, trovas, poetrix, haicai, esportes. Tudo depende da inspiração de momento.


ELOS= Acha a poesia rimada, perfeita?R= Se ela for bem escrita, e a rima fluiu naturalmente, é perfeita. Mas se é uma rima forçada, não é perfeita, pois não é natural. A poesia é perfeita, quando expressa um estado de alma.


ELOS= Alguma vez já teve alguma poesia sua roubada, adulterada ou com o famoso "Autor Desconhecido"?


R= Já perdi a conta das vezes em que tive conheciomento disso. E sei que com essa infinidade de blogs a coisa está feia, pois é dificil um controle sobre isso. Quando encontro uma, procuro conversar com quem me fez o repasse, e tentamos localizar a origem, pedindo que faça a devida correção. Muitas vezes fui atendido, e acabei ficando amigo da autora do AD...


ELOS= Está certo repassar poesias sem autoria?


R= Eu não repasso. Se gosto do tema, procuro descobir o autor numa pesquisa no google. E se não encontro, simplesmente deleto, por mais lindo que seja. Não acho justo para com o autor deixar circular o texto de paternidade desconhecida.


ELOS = O que você nos diz sobre a arte de fazer cirandas de poetas, tão em voga nos Grupos poéticos?


R= Gosto muito de Cirandas, desde que o tema inicial seja respeitado. Considero as cirandas um desafio à criatividade poetal. Seguindo Cirandas, escrevi já muitos textos inapirados pelo tema da ciranda.


ELOS = E sobre duetos e entrelaces, acha válido essa forma de interagir com poesias?


R= Desde que haja o consentimento, sim, acho muito válido. Quando não existe um prévio acordo entre os autores, sempre se deve pedir autorização ao autor, para montar um dueto. Não acho correto fazer algo à revelia do autor.


ELOS = O que deseja para a poesia dentro do mundo capitalista?


R= Que se continue poetando, e que o povo aprenda a ler poesias, dando o devido valor aos livros tão custosamente editado pelos autores.


ELOS = Sua inspiração é espontânea ou você precisa de momentos específicos para escrever?


R= Preciso estar vivo. A inspiração flui conforme o momento. Como respondi a outra pergunta acima.


ELOS = Já editou algum livro de papel?


R= Já. Quatro. A saber, (E)Ternos Namorados, de poesias -Cronicas da vida, de crônicas -Um Brasileiro na África, contando aventuras vividas durante tres anos em que morei no Congo, viajando pelo interior do País Historia de um Amor Especial, escrito a quatro mãos com a poeta Walkyria Garcia, sobre um amor vivido na época da Inquisição Espanhola.


ELOS = Defina a poesia e a participação dela nos meios literários.R= A poesia é a vida da alma, e a alma dá vida à poesia. E para os apreciadores do gênero, é importante nos meios literários. É o que dá vida à literatura. Basta entender que todos os Hinos, e que todas as músicas épicas, são poesias musicadas.ELOS = Qual a poesia sua que mais gosta?


R= Pelo momento em que foi escrito, é "Marcas do Tempo", mas para definir poesia, é A Arte de Escrever, que reflete bem o que é uma poesia.


Obrigado por tão preciosa entrevista e aceite nossos efusivos Parabéns, por sua linda participação. Esperamos que continue a abrilhantar os Grupos com seus maravilhosos poemas.


R= Não deixarei de faze-lo.



MARCAS DO TEMPO

Marcial Salaverry

Enquanto dormias,fiquei teu rosto olhando,

absorto admirando,as marcas que o tempo deixou...

E que a vida acentuou...

Os cabelos embranquecidos,

atestando os anos vividos...

As rugas de teu rosto,

o que pelo tempo foi imposto...

Quanta vidafoi por nós vivida...

E nessa vida... quanto amor...

E também alguma dor...

O caminho não é só de flores...

Existem espinhos que causam dores...

Com os filhos, preocupações...

Mas, sempre unindo nossos corações,

encontrávamos as soluções...

Problemas pela idade causados,

com amor sempre foram afastados...

Problemas de convivência,

sempre exigindo paciência...

As rugas encontradas...

Outras marcas pelo tempo deixadas...

Tudo fomos superando...

Sempre muito nos amando...

E na prova derradeira...

Superamos a maior barreira...

E agora... mão na mão...Coração a coração...

Dizemos em uníssono,EU TE AMO, MEU AMOR.


******************************
A ARTE DE ESCREVER

Marcial Salaverry

A Arte de escrever,é a melhor fuga que pode haver...

Enquanto estamos escrevendo,

não estamos sofrendo,dos problemas,

vamos esquecendo...

Só para a arte estamos vivendo.

Para outros tempos nos transportamos,

para outros mundos nos mudamos...

Não sabemos mais onde estamos,

em nosso interior mergulhamos.

É uma doce loucura,que acaba com qualquer tortura...

Alivia a nossa mente,não nos deixa ficar demente.

Assim, fora da realidade,nossa única verdade

aquilo que escrevemos,e das letras nós fazemos

nossa arma justiceira,

e até acabamos com a bandalheira...

Escrevemos o que sonhamos...

e depois quando acordamos,estamos

com as baterias recarregadas,

as dificuldades serão melhor enfrentadas...

Enquanto estivemos a sonhar,

nossas forças conseguimos recuperar.

Poetas... artistas... escritores...

Não abandonemos nossos pendores.

Se esse talento temos...não o abandonemos.

Se nosso destino é escrever,é o que devemos fazer.
TEKA NASCIMENTO
POETISA AMANTE DA LIBERDADE POÉTICA
"Como sempre digo, não sou poeta...rsss, escrevo de vez em quando, agora a inspiração vem do coração."



ELOS = Diga-nos sua nacionalidade e fale um pouquinho da cidade onde você mora.

R= Sou Brasileira..nascí em São Paulo-Capital...atualmente resido no interior do Estado de São Paulo.

ELOS = Qual a sua formação escolar?

R= Sou formada em Direito.

ELOS= Qual o seu poeta ou poetisa preferido?

R= Tenho dois poetas que gosto muito....Fernando Pessoa e Florbela Spanca

ELOS= Você se inspira em algum poeta, para escrever?

R= Como sempre digo, não sou poeta...rsss, escrevo de vez em quando, agora a inspiração vem do coração.

ELOS= O que é preciso para escrever bem?

R= O mínimo conhecimento da lingua portuguesa...rs

ELOS= Quais qualidades pessoais isso exige?

R= Ler!!!!...ler muito e sempre!!!!

ELOS= Antes de saber escrever bem, é preciso saber por que se escreve?

R=Não creio que exista um motivo definido para se escrever!
Simplesmente escrevemos.

ELOS= Enquanto escreve, sua vontade maior é agradar ou se satisfazer?

R= Nunca pensei nisso... mas creio que é para me satisfazer.

ELOS = Colocando-se apenas no papel de leitor de sua obra, existe a possibilidade de considerar qualquer trabalho seu um fracasso?

R= Com certeza....rsss

ELOS = Ao terminar de escrever um texto, você aceita e gosta do resultado unicamente porque é responsável por ele?

R= Gosto e aceito, pois acabei de dar a luz a mais um filho!!!

ELOS= Uma escritora inglesa expôs a seguinte opinião: “poesia não é uma expressão da personalidade, mas uma fuga dela”. E ela explica: “personalidade é muito mais do que detalhes autobiográficos, é o nosso próprio modo de processar o mundo, nossa maneira de ser, e não pode ser artificialmente retirado de nossas atividades: é nosso jeito de ser ativos”. Você acha que é preciso ter conhecimento e aproveitar um pouco dos dois lados na criação, ou apenas trabalhar com um deles é suficiente?

R= No meu ver..."poesia é a expressão dos sentimentos, daquilo que vai na alma e coração"e certamente ela se mistura...portanto temos que trabalhar os dois lados sempre.

ELOS= Já teve alguma poesia sua que sofreu uma critica desfavorável?
Se teve, qual foi sua reação?

R= muitasssss...achei ótimo, críticas são sempre bem vindas.

ELOS= Você acha que a crítica pode fazer o poeta aperfeiçoar-se, ou desistir da poesia?

R= Pessoalmente creio que toda crítica bem intencionada, sempre leva ao crescimento
Desistir por causa de uma crítica....Jamais!!!!

ELOS= Como você definiria o seu estilo?

R - Como não me considero poeta....meu estilo é LIVRE.

ELOS= Acha a poesia rimada, perfeita?

R= Gosto da poesia rimada,acho muito bonita....
e perfeição só existe em Jesus!

ELOS= Alguma vez já teve alguma poesia sua roubada, adulterada ou com o famoso "Autor Desconhecido"?

R= Sim...algumas.

ELOS= Está certo repassar poesias sem autoria?

R= Entendo que devemos procurar a autoria sempre...

ELOS = O que você nos diz sobre a arte de fazer cirandas de poetas, tão em voga nos Grupos poéticos?

R= Sou supeita de comentar sobre cirandas..rss, mas é extremamente interessante notar que, de um poema ou melhor um título, nascem muitos outros poemas, entendo as cirandas como um exercício poético maravilhoso.

ELOS = E sobre duetos e entrelaces, acha válido essa forma de interagir com poesias?

R= Sim claro!!!!vejo duetos e entrelaces como uma conversa poética.
Para isso é necessário uma boa sintonia, entre os poetas.

ELOS = O que deseja para a poesia dentro do mundo capitalista?

R= Que ela continue sendo simplesmente "Poesia".

ELOS = Sua inspiração é espontânea ou você precisa de momentos específicos para escrever?

R= Escrevo quando sinto necessidade...espontaneamente.

ELOS = Já editou algum livro de papel?

R= Não....e nem tenho intenção de fazê-lo.

ELOS = Defina a poesia e a participação dela nos meios literários.

R.=" Poesia..momento de encanto...dentro da mágia"
Extremamente importante e necessária, nos meios literários.

ELOS = Qual a poesia sua que mais gosta?

R= Naturalmente sempre a última....

Obrigado por tão preciosa entrevista e aceite nossos efusivos Parabéns, por sua linda participação. Esperamos que continue a abrilhantar os Grupos com seus maravilhosos poemas.

Eu que agradeço esse carinho.
beijos
Teka Nascimento



Despedindo da Solidão!!!

Teka Nascimento


Sabe Solidão.....
Bebemos do mesmo vinho!Partilhamos

a mesma taça,Entrastes em meu caminho...Fui de ti a caça!!!

Eu chorava...e tu me consolavae mais e mais,

tu se apossavas!

Teve em suas mãos a minha vida,e eu?

achava que tu me amavas! Hoje peço que partas!!!!

Pois tu deixou-me amarga!

Solidão...não quero mais a sua cizânia.

Quero viver a sorrir a larga!!!

Não creio que do poeta,Sejas tu a inspiração!

Poeta é pura emoçãoE vive da mais linda ilusão!!!

Parte Solidão......chegou a tua hora,

Um amor lindo.. chegou e ficou.

No meu coração não tens mais aurora.

Vai..da mesma forma que chegou!!

L.Pta.28/11/200720:59hsPublicado no Recanto das Letras

em 28/11/2007Código do texto: T756933

sábado, 22 de março de 2008


ENTREVISTA COM O POETA

ORLANDO CAETANO
ELOS = Orlando Caetano, diga-nos sua nacionalidade e fale um pouquinho da cidade onde você mora.

R= Sou português e vivo em Leiria, uma cidade medieval com um centro histórico bem conservado, incluindo um belo castelo, mas também com uma zona de bairros modernos, universidades, centros comerciais, teatros, etc.. Fica a 20 Km da orla marítima, bem perto das serras de Aire e Candeeiros, e 130 km a norte de Lisboa.


ELOS = Qual a sua formação escolar?

R= Fiz bacharelato em teologia, licenciatura em psicologia e pós-graduações em literatura portuguesa e linguística.

ELOS= Qual o seu poeta ou poetisa preferido?

R= Não tenho poeta preferido. Tenho poemas preferidos, de vários poetas.

ELOS= Você se inspira em algum poeta, para escrever?

R= Não intencionalmente. Leio poesia por gosto e necessidade. Pode ser que, inconscientemente, alguma dessa poesia me "ilumine"!

ELOS= O que é preciso para escrever bem?

R= Não sei o que é escrever bem. Cada poeta escreve com a cabeça e com o coração, e cada leitor ou ouvinte da sua poesia dirá se essa poesia é boa ou não, para ele/ela. Trata-se de algo subjectivo, intuitivo... na minha opinião.


ELOS= Quais qualidades pessoais isso exige?

R= Entre outras, honestidade, desprendimento, generosidade. Penso que o produção poética é uma dádiva ao mundo. Por isso não gosto de copyrighs e outras restrições, menos ainda quando são invocadas, ou impostas, por simples poetas amadores como eu e outros, nomeadamente na internet. Parece-me revelar uma atitude de presunção pedante e mesquinha.


ELOS= Antes de saber escrever bem, é preciso saber por que se escreve?

R= Estas coisas não se pensam... acontecem. Não se planeiam, surgem! Hoje, a poesia não se limita a fixar o real. Ela permite a projecção e o fluxo daquilo que subjaz ao real.

ELOS= Enquanto escreve, sua vontade maior é agradar ou se satisfazer?

R= A poesia é uma forma de livremente me exprimir. Em certos casos é também um meio de afirmar o inafirmável, de realizar o irrealizável, enfim, de me superar. Quando escrevo, faço-o por necessidade de objectivar pensamentos e/ou sentimentos em expressões sintéticas. A poesia é, por natureza, uma forma de síntese. E eu adoro a síntese. Escrevo só quando uma força interior me impele. Não para agradar nem para me satisfazer. Apenas para transbordar, para libertar algo que existe em mim. Algo que pede asas e liberdade para voar...

ELOS = Colocando-se apenas no papel de leitor de sua obra, existe a possibilidade de considerar qualquer trabalho seu um fracasso?

R= A avaliação é feita pelo leitor. Em tempos, julguei que alguns poemetos meus não teriam valor poético. No entanto, depois de ler algumas singelas quadras de grande poetas, como Pessoa, poemas quase panfletários, ou "de cordel"... ganhei coragem e dei à luz esses versos. Uns adorá-los-iam outros os detestariam, ou lhes seriam indiferentes. Nem tudo nos toca de igual modo. E, no meu caso, como sou tendencialmente heterogéneo, não possuo um padrão poético. Quem lê que faça a sua selecção e apreciação. Nunca se pode agradar a todos, e eu não escrevo para agradar, como já disse.


ELOS = Ao terminar de escrever um texto, você aceita e gosta do resultado unicamente porque é responsável por ele?

R= Depois de escrever um texto, deixo-o em banho-maria, para a ele poder voltar depois, revê-lo, alterá-lo, corrigi-lo (não na essência mas na forma). Embora sendo perfeccionista, sou também consciente da reduzida escala em que me situo no espectro da produção poética. Reconheço as minha limitações e relativizo-me com toda a naturalidade. Não sou um homem de letras, escrever é um dos meus 'hobbies'.

ELOS= A escritora inglesa expôs a seguinte opinião: “poesia não é uma expressão da personalidade, mas uma fuga dela”. E ela explica: “personalidade é muito mais do que detalhes autobiográficos, é o nosso próprio modo de processar o mundo, nossa maneira de ser, e não pode ser artificialmente retirado de nossas atividades: é nosso jeito de ser ativos”. Você acha que é preciso ter conhecimento e aproveitar um pouco dos dois lados na criação, ou apenas trabalhar com um deles é suficiente?

R= Julgo que a racionalização da poesia é uma anti-poesia. Lembras-te do filme 'Dead Poets Society' ( 1989)? Existem normas métricas, e outras, para certas formas poéticas estruturadas, como o soneto, por exemplo. No entanto a poesia não pode deixar que a mordaça dos regulamentos a constranjam ou subjuguem. Poesia é uma expressão dinâmica de vida, é uma corrente caudalosa que não suporta diques.

ELOS= Já teve alguma poesia sua que sofreu uma critica desfavorável?
Se teve, qual foi sua reação?

R= Claro que sim. Vários poemas meus têm desagradado, alguns deles por serem eróticos e outros por serem tristes. Mas esses mesmos poemas foram elogiados por outras pessoas . A minha reacção é respeitar e aceitar serenamente as críticas, sejam quais forem.

ELOS= Você acha que a crítica pode fazer o poeta aperfeiçoar-se, ou desistir da poesia?

R= Quando comecei a escrever, sujeitei os meus escritos à leitura de um colega meu, da área da linguística. Uma outra colega, professora de literatura, leu o meu segundo livro antes de ser publicado. As suas dicas teóricas foram muito úteis para mim. Mas também com eles aprendi e ser o que sou e a escrever o que sinto, como sinto.
Um poeta nunca desiste da poesia... ainda que ela nunca seja lida por mais ninguém.

ELOS= Como você definiria o seu estilo?

R - Libertino, no estrito sentido da palavra.

ELOS= Acha a poesia rimada, perfeita?

R= Não é por ser ou não rimada, que a poesia ganha ou perde qualidade.
A rima é necessária em certas formas poéticas. Mas há muito que dela se prescindiu, com o surgimento do chamado 'verso branco' .


ELOS= Alguma vez já teve alguma poesia sua roubada?

R= Não sei. Isso não me preocupa minimamente. Aliás, nunca ninguém me rouba nada, a partir do momento em que eu próprio dou o que escrevo. Para além de tudo... as acções ficam com quem as pratica. Eu nunca pleitearia por plágio ou algo assim.

ELOS= Está certo repassar poesias sem autoria?

R= Se o autor é desconhecido, pode divulgar-se um poema com essa informação. Ou com o clássico 'Ignotus'.

ELOS = O que você nos diz sobre a arte de fazer cirandas de poetas, tão em voga nos Grupos poéticos?

R= Vejo com bons olhos esse "colectivismo" poético. No entanto raramente participo. Só quando um tema me toca particularmente. Como já disse, não escrevo a pedido mas por impulso interior.

ELOS = E sobre duetos e entrelaces, acha válida essa forma de interagir com poesias?

R= Perfeitamente válida. A interacção é positiva sempre que genuína e espontânea.

ELOS = O que deseja para a poesia dentro do mundo capitalista?

R= Não associo a poesia, necessariamente, a qualquer ideologia política.

ELOS = Sua inspiração é espontânea ou você precisa de momentos específicos para escrever?

R= Creio já ter respondido: espontânea, é claro.

ELOS = Já editou algum livro de papel?

R= Editei três livros de poesia: "Descontinuidades", "Além do Azul" e " Nova Madrugada".

ELOS = Defina a poesia e sua participação nos meios literários.

R= Poesia é aquilo que os poetas escrevem. Uma produção literária baseada na síntese.
Sendo eu um poeta amador, quase desconhecido, não frequento meios literários.


ELOS = Qual a poesia sua que mais gosta?

R= Um dos meus poemas predilectos é:

ESTALACTITE

Gotejam palavras
milhares de anos
repetidas.
Palavras repetidas
e palavras quase repetidas.
Destas últimas
fizeram-se poemas.

Obrigado por tão preciosa entrevista e aceite nossos efusivos Parabéns, por sua linda participação. Esperamos que continue a abrilhantar nosso Grupo com seus maravilhosos poemas.

R= Obrigado eu, pelo prazer e pela honra da partilha.